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Sexo e Parafilias

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Por: Lindomar Rocha (Psicólogo)
 
A sexualidade humana é um tema bem complexo, e merece atenção especial e olhar cauteloso. 
É possível passar de uma situação de normalidade para um estado de adoecimento gradativamente sem que o indivíduo tenha consciência do que está acontecendo consigo mesmo, chegando a perceber que seus padrões comportamentais estão alterados somente quando já está sofrendo com algum prejuízo. Igualmente é comum vermos pessoas que vivem uma sexualidade normal e bem adaptada, mas que tem dúvidas sobre si e sobre seus comportamentos, julgando-se desajustada ou adoecida. 
Os conflitos e dúvidas na área dos comportamentos sexuais são portanto muito comuns a um grande número de indivíduos de ambos os sexos (homens e mulheres), e a melhor forma de buscar uma vivência sexual satisfatória e saudável é ampliar nosso grau de conhecimento sobre nosso funcionamento.
Este texto tem a intenção de explicar sobre um importante tema dentro da Sexologia (estudo da sexualidade humana): a PARAFILIA.
 
A prática das Parafilias é mais comum do que se imagina. Apesar de não se ter um número estipulado de praticantes deste comportamento, ele sempre permeia a sociedade, ultrapassando questões éticas, religiosas, de gênero ou classe social, podendo ir desde  o comportamento simples praticado pelo indivíduo até as praticas sexuais patológicas. 
Segundo a DSM-IV (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais da American Psychiatic Association, 4ª edição de 1994) Parafilia é assim definida: “consiste de fantasias, anseios sexuais ou comportamentos recorrentes, intensos e sexualmente excitantes, em geral envolvendo objetos não humanos, sofrimento ou humilhação, próprios ou de parceiros ou de crianças ou de outras pessoas sem o seu consentimento. Requer-se ainda para o diagnóstico que esses anseios e/ ou as fantasias causem sofrimento clinicamente significativos ou prejuízo no funcionamento social,  profissional ou em áreas importantes da vida do indivíduo”. 
A origem da palavra Parafilia é: Para = fora do normal, oposição + Philos = amante, que tem afinidade, atraído por. Assim Parafilia consiste em um desvio em relação ao ato sexual normal, também chamado na Psicanálise como perversão.  
Em linhas gerais o efeito da Parafilias se assemelha ao do TOC (transtorno obsessivo compulsivo) devido às forças impulsionadoras que em alguns casos são as mesmas: motivadas compulsivamente e, portanto, sem controle.
Na Parafilia o indivíduo modifica a forma de viver sua sexualidade podendo atuar de forma apenas um pouco diferente, ou podendo chegar a uma atuação descontrolada, o que pode levar a prejuízos nas mais diversas áreas de sua vida. Tais comportamentos podem iniciar de maneira discreta e aumentar gradativamente até atingir níveis elevados, podendo chegar a uma patologia sem controle, comprometendo o indivíduo em seu desenvolvimento psicológico, emocional, relacional e até profissional.
 
Dentre as inúmeras manifestações da parafilia destacamos algumas práticas:
 
Voyeurismo – excitação com a observação do ato sexual. O voyeur sente prazer na observação intencional de outras pessoas nuas, vestindo-se e despindo-se, mas principalmente em atividade sexual, sem que os envolvidos tenham conhecimento de estarem sendo observados. 
Exibicionismo – prazer sexual em mostrar os órgãos genitais. O exibicionista se expõe, na maioria dos casos, sem o consentimento do outro e sem intenção de consumar o ato sexual.
Sadismo – prazer ao infligir sofrimento a alguém, sob forma de dominação, dor física ou emocional. 
Masoquismo – prazer em sofrer e em ser dominado por outra pessoa.
Pedofilia – atos sexuais com a participação de crianças ou pré-puberes.
Pictofilia-  quando se utiliza da visualização de imagens pornográficas para se alcançar a excitação sexual.
Escatofilia- consiste no dialogo intimo e obsceno com pessoas tanto conhecidas quanto desconhecidas visando a excitação sexual.
Narratofilia – excitação sexual atingida através de contar ou ouvir historias eróticas.
Hipersexualidade – o indivíduo pode ser caracterizado como viciado em sexo quando o seu interesse sexual passa a trazer prejuízos nos relacionamentos, na família, no trabalho, nos estudos ou na vida social. A hipersexualidade pode ir de “...uma atenção indevida ao sexo oposto e assim por diante, até o extremo da luxuria, quando a mente está toda ocupada, pelo apetite sexual urgente” (Daniel Tuke, 1892).
Hiposexualidade – quando o indivíduo perde todo o interesse pela atividade sexual. 
 
Texto escrito por Ms. Lindomar Lopes Rocha (CRP 09/3941)
- Psicólogo Clínico, Mestre, Analista Junguiano.
- Dentre as várias áreas com as quais atua estão: Terapia da Sexualidade e Terapia de Casal
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